O que pode haver de comum entre um pombo correio, uns homens com bandeiras e uma velhinha viciada?

A Família Rothschild

Untitled-1A Família Rothschild (conhecida como A Casa de Rothschild, ou mais simplesmente os Rothschild) é uma família Europeia de Judeus Alemães (mais especificamente Judeus Ashkenazi, ou Ashkenazim) que estabeleceram casas de finanças e bancos na Europa nos finais do século 18.

O primeiro membro da família que ficou conhecido por usar o nome “Rothschild” foi Izaak Elchanan Rothschild, nascido em 1577. O nome significa “Escudo Vermelho” em alto-alemão antigo. Foi o seu descendente Amschel Moses Rothschild (nascido em 1710), que abriu uma loja de cunhagem em Frankfurt. Por cima da porta, colocou um letreiro, que incluía uma águia romana e um escudo vermelho. A loja ficou conhecida como “a loja do escudo vermelho”, ou em alemão, Rothschild.

A ascensão da família para a proeminência internacional iniciou-se em 1744, com o nascimento de Mayer Amschel Rothschild em Frankfurt, Alemanha.

UntitledMayer acabou por aperceber-se de que emprestar dinheiro a governos e reis dava mais lucro do que emprestá-lo a particulares. Não só os empréstimos eram maiores, mas eram seguros, assegurados pelos impostos do país.

Mayer teve cinco filhos. Treinou todos eles nos meandros das finanças e enviou cada um para lugar estratégico distinto, a fim de abrir filiais do negócio bancário da família.

 

 

 

foto2O seu primogénito, Ancho Mayer, ficou em Frankfurt, para suceder ao pai. O segundo filho, Solomon, foi enviado para Viena. O seu terceiro filho, Nathan (o do meio à esquerda), era claramente o mais esperto, foi enviado para Londres, em 1728, 100 anos após a fundação do Banco da Inglaterra. O seu quarto filho, Carl, foi para Nápoles, e o seu quinto filho Jacob, foi para Paris.

Os Rothschild passaram a manter estreito relacionamento com o príncipe Guilherme de Áustria, o nobre mais rico da Europa. Quando Napoleão o forçou ao exílio, entregou 550 mil libras, uma soma vultosa, a Nathan Rothschild em Londres com instruções de comprar títulos do Tesouro inglês. Mas ficaram com o lucro que tinham tirado do uso do dinheiro de Guilherme. Um lucro exorbitante.

Por exemplo: na Inglaterra, Nathan Rothschild viu a oportunidade de montar uma jogada que lhe permitiria apoderar-se do mercado de capitais ou mesmo do Banco da Inglaterra, nas vésperas de batalha de Waterloo.

bolsaRothschild enviou um espião para Waterloo. Mal a batalha acabou o seu espião lhe enviou um pombo correio que voou rapidamente para a Inglaterra e Rothschild recebeu a notícia 24 horas antes do próprio correio de Wellington de que Napoleão estava sendo derrotado.

Correu para a bolsa com um ar triste e abatido. Todos o seguiam com o olhar. Subitamente, Nathan encostou-se a uma coluna do pregão e começou a vender ações do Banco da Inglaterra. Os outros investidores viram que ele tinha começado a vender. A resposta só poderia ser uma: Napoleão tinha ganhado em Waterloo e Rothschild sabia. Em poucos minutos, todos vendiam. Os preços caíram como um raio. Entretanto, agentes de Rothschild começaram a comprar secretamente os títulos por uma fração do seu valor real. Numa questão de horas, Nathan Rothschild passou a dominar a bolsa de Londres, assim como, segundo se supõe, o Banco da Inglaterra. Atualmente na coluna do pregão onde ficou encostado enquanto vendia existe uma placa de bronze mencionando o episódio de 1815.

Nathan mais tarde gabou-se de, nos 17 anos que passou em Inglaterra, ter multiplicado as 20.000 libras que recebera do pai para se estabelecer em 2500 vezes. Graças à cooperação familiar, os Rothschild tornaram-se incrivelmente ricos. Em meados do século XIX, dominavam o sistema bancário europeu e era sem dúvida a família mais rica do mundo.

Por volta de 1850, James Rothschild, o herdeiro do ramo francês da família, tinha um ativo de 600 milhões de francos franceses, 150 milhões mais que todos os outros banqueiros franceses somados. Os Rothschild eram, portanto, a família mais rica do mundo. O resto do século XIX foi denominado da “era dos Rothschild”.

Financiaram Cecil Rodes, permitindo-lhe adquirir o monopólio dos diamantes e ouro na África do Sul. Na América, financiaram os Harriman dos caminhos de ferro, os Vanderbild, nos caminhos de ferro e imprensa, Carnegie, no aço, entre muitos outros.

Durante a primeira guerra mundial, J.P. Morgan era suposto ser o homem mais rico da América. De fato, quando morreu, comprovou-se que era apenas um agente dos Rothschild. J.P. Morgan possuía apenas 19% das suas empresas.

No fim do Século XIX, a família Rothschild controlava metade da riqueza do mundo.

Fontes: Wikipédia, Blog de Fernando Augusto Botelho e Nehemias Gueiros Jr.

Munehisa Homma – Criador da Metodologia do Candlestick

Entre 1500 e 1600, o Japão era um país desagregado, formados por cerca de 60 pequenos feudos ou províncias permanentemente em guerra. No início do séc. XVII, três generais ― Nobunaga Oda, Hydeyoshi Toyotomi e Ieyasu tokugawa, após 40 anos de lutas, conseguiram unificá-lo.

Seus feitos ficaram registrados e celebrados no folclore e na história japonesa. Segundo o dito popular, Nobunaga empilhou o arroz, Nobunaga amassou a farinha e Tokuganha comeu o bolo. Resumindo, os três generais contribuíram para a unificação do Japão, mas Tokugawa, o último destes três generais, tornou-se o Xogum, cuja família deu as cartas de 1615 a 1867. Este período passou para a história como Xogunato de Tokugawa.

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Letras do alfabeto japonês

As condições militares que cobriram o Japão durante anos tornaram-se parte integral da terminologia do Candelabro. Se você pensar sobre isso, verá que, operar, requer muitas das mesmas habilidades necessárias para vencer uma batalha. Tais habilidades exigem estratégia, psicologia, competição, retiradas e sorte. Deste modo não é de surpreender que quando se deparar com a denominação das velas análogos à terminologia militar. Existem “ataques diários e noturnos”, “avanços de três soldados”, “linhas de contra-ataque” e outros mais.

Após a centralização do sistema feudal japonês, a paz voltou a reinar e uma relativa estabilidade possibilitou o surgimento de novas oportunidades comerciais. A economia agrária cresceu e, mais importante, houve expansão e tranquilidade nos negócios domésticos. Por volta do séc. XVII, já havia se desenvolvido um mercado nacional, que substituiria o sistema anterior de mercados locais e isolados. Este conceito de mercado centralizado foi a causa indireta do desenvolvimento da análise técnica no Japão.

O general Toyotomi via a cidade de Osaka como a capital do Japão e estimulou seu crescimento como um centro comercial. Para lá enviou, como seu representante, um mercador chamado Yadoya Keian, possuidor de extraordinárias habilidades na área dos transportes, distribuição e no assentamento do preço do arroz. O quintal defronte a sua casa tornou-se tão importante, que ali se desenvolveu a primeira bolsa de arroz. Em pouco tempo Yodoya tornou-se muito rico e, em 1705 o Bakufu (governo militar), preocupado com seu poder crescente e alegando que estava vivendo em luxúria, confiscou-lhe todos os bens. Antes disso, em 1642, certos oficiais e mercadores tentaram dar um “corner” no mercado de arroz. A punição foi severa: seus filhos foram executados e seus bens, confiscados.

foto4A Bolsa de Arroz desenvolvida originalmente no quintal de Yadoya foi institucionalizada, surgindo em seu lugar,no final do século, a Bolsa de arroz de Dojima, em Osaka. Até 1710, a Bolsa só negociava arroz físico para entrega imediata. A partir de 1710, começaram a aceitar negociar recibos de armazenamento. Os recibos de armazenamento eram denominados cupons de arroz e eram muito negociados. Os cupons de arroz, vendidos contra entregas futuras de arroz, tornaram-se os primeiros contratos futuros de que se tem notícia. A Bolsa de Arroz de Dojima, onde estes cupons eram negociados, tornou-se a primeira bolsa de futuros do mundo. Para se ter uma ideia da popularidade da bolsa de futuros, imagine o seguinte: em 1749, havia um total negociado de 110.000 fardos de arroz para entrega futura e em todo o Japão havia apenas 30.000 fardos. Ainda hoje a tradicional saudação em Osaka é “Mokarimakka”, que significa, “você está tendo lucro?”.

foto5Em 1724, nasceu Munehisa Homma, filho de uma família riquíssima e que, com 26 anos, era considerado o “Deus dos “Mercados”. Quando seu pai faleceu, em 1750, apesar de não ser o primogênito, assumiu os negócios da família. Começou operando na bolsa local de arroz da cidade portuária de Sakata. Sakata era uma área de arrecadação e distribuição de arroz. Caso venha a se aprofundar nos estudos do Candlestick, você se deparará, com certa frequência, com a expressão “Regras de Sakata”. Isto se refere a Homma. Depois de Sakata, Homma partiu para a conquista da Bolsa de Dojima e começou a operar “arroz futuro”. Sua família tinha uma enorme fazenda de arroz. Seu poder significava que a informação sobre o mercado de arroz estava normalmente à sua disposição. Ele mantinha registro das condições anuais das chuvas. No sentido de aprender sobre a psicologia dos investidores, Homma analisou os preços do arroz, voltando ao tempo de quando o arroz era negociado mo quintal de Yodoya. Também construiu seu próprio sistema de comunicações. Em tempos pré-determinados, ele colocava seus homens em cima de telhados, distribuídos ao longo da estrada de Sakata (localizada na Província de Yamagata) a Osaka, que enviavam-lhe informações através de um código de bandeiras. Assim ele sabia antes de qualquer outro investidor o que estava acontecendo na área das plantações e distribuição.

Depois de dominar o mercado de Osaka, Homma foi opera na 0bolsa regional de Edo (hoje Tóquio). Usou seu conhecimento para angariar uma fortuna imensa. Dizem que chegou a fazer 100 operações vitoriosas sucessivas. Foi o inventor da técnica do Candlestick.

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Fonte: Análise Técnica: Teorias, Ferramentas e Estratégia e fotos da internet

Marcio Noronha e a história da velhinha 

foto10foto7No final da década de sessenta o meu irmão era gerente de um escritório da corretora M. Marcello Leite Barbosa numa de suas lojas espalhadas pelo Rio de Janeiro. Ficava situada numa Galeria na esquina entre as ruas Barata Ribeiro e Figueiredo Magalhães.

Nesse período as corretoras proliferavam no Rio de Janeiro. Creio que havia umas 90 corretoras em atividade. Como naquela época a comunicação era precária (uma linha telefônica era comprada no mercado negro e custava em torno de uns U$2.000,00 e mesmo assim tinha-se de esperar muito tempo com o telefone no ouvido para se obter uma linha para fazer a discagem), a grande maioria das corretoras oferecia aos seus clientes uma sala com terminais da Bolsa com as cotações ao vivo, telefone interno para se comunicarem com a mesa de operações para passarem suas ordens, cadeiras confortáveis, garçons passando toda hora oferecendo água e cafezinho e de vez em quando uns salgadinhos, enfim, um ambiente para agradável para atrair e manter o investidor confortável. Mesmo nos escritórios dos bairros, ainda que o espaço fosse menor do que nas matrizes, também havia uma salinha para os clientes.
Na loja que o meu irmão trabalhava, um dos clientes era uma senhora belga de idade avançada (entre 70 e 80) que diariamente ia lá para operar. Para passar o tempo entre as operações trazia consigo um jornal belga que devia chegar ao Brasil com um ligeiro atraso e depois o levava de volta.

Mas um dia ela foi embora e esqueceu o jornal na salinha. O meu irmão que fala e escreve fluentemente Francês foi dar uma olhada no jornal. Qual não foi a sua surpresa quando chegou numa página financeira e viu que na lista das cotações de empresas negociadas na bolsa de Bruxelas havia uma com o nome “Belgo-Mineira”. Fazendo a conversão do valor em Franco belga versus Cruzeiro (Cr$), dava um valor que correspondia aproximadamente a ¼ do valor negociado na bolsa brasileira.

Assim que verificou essa disparidade me telefonou e me contou o que vira. Seria possível que fosse a mesma ação? Na dúvida e sem querer compartilhar com ninguém, recorri a um amigo da minha da turma na Faculdade de Economia que trabalhava como gerente na área internacional do Citibank para saber se ele tinha contato com alguma corretora de Bruxelas para me recomendar. Para a minha sorte tinha um contato e deixou uma visita agendada para dali a três dias.

No dia seguinte embarquei para Paris rumo ao Hotel Plaza Athénée, onde pernoitei, e na manhã do dia seguinte acordei cedo, tomei café e peguei um taxi rumo à Estação de “Paris Gare du Nord” onde embarquei no trem para Bruxelas. Lá chegando fui ao encontro do corretor e depois de conversarmos um pouco e me explicar que a Belgo-Mineira negociada foto8lá eram procurações de ações que estavam custodiadas aqui no Brasil nos bancos Francês-Brasileiro e Ítalo-Belga de propriedade de ex-funcionários belgas que trabalharam no Brasil durante a construção da Siderúrgica e durante o tempo que aqui permaneceram receberam bônus em ações no final de cada ano. Em seguida me levou para conhecer a Bolsa de Bruxelas. Apesar da beleza da construção fui levado a um salão onde havia basicamente havia uma grande mesa em “T” com os corretores sentados em volta, silenciosos, um ao lado do outro, sem a presença de público, enfim, desapontador!

Mas, para mim isso era irrelevante! O importante mesmo foi saber que havia mesmo essa enorme disparidade entre o valor das procurações e a cotação no Brasil e que tinha de aproveitar o mais rápido possível antes que outra pessoa descobrisse!

Fonte: PT.fotolia.com
Fonte: PT.fotolia.com

Voltei para o hotel e cedo na manhã do dia seguinte liguei para o meu amigo do Citibank para saber se havia uma possibilidade de eles me abrirem uma linha de crédito no valor de U$1.000.000,00 contra uma garantia que seria deixada no banco em ações da Petrobrás ao portado que valiam U$1.500.000,00. Depois de um trâmite rápido consegui que liberassem os recursos e depois de conversar com um dos meus sócios Fonte: PT.fotolia.com         na corretora Multiplic, da qual na época eu era o Presidente, solicitei à minha secretária que retirasse os títulos da minha custódia e os levasse para o Citibank. Além de me darem o crédito, ainda me deram dez dias úteis para liquidar o empréstimo.

No dia seguinte consegui através do corretor belga comprar cerca de U$800.000,00 em procurações que me foram entregues no outro dia antes do meu voo de volta.

Aqui chegando levei as procurações para a custódia da minha corretora e elas foram entregues nos bancos para serem trocadas pelas ações correspondentes. Depois da troca por cautelas, em dois ou três dias vendi tudo que havia comprado aproximadamente pelo triplo do valor e ainda deu tempo para pagar o Citibank sem tirar um tostão da minha conta!

Moral das histórias: No jogo do mercado de renda variável não existe “Straight Flush”, mas o conhecimento antecipado de um evento desconhecido por todos é o que mais se aproxima da “Sequência de Ouros”!

 

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